Educação Indígena e Meio Ambiente

Educação Escolar Indígena nas Aldeias e na cidade…como se processa cada uma e sua importância hoje.
Autora: Márcia Wayna Kambeba
Apoio: Rosi Araujo
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A educação na aldeia indígena,
Começa desde a primeira idade,
Não segue os padrões de sala de aula,
É um aprender sem pressa na solidariedade.
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Aprende que a agitação da formiga
E o canto do sapo, indica que a chuva vem aí,
Aprende a apreciar desde pequeno
Um bom peixe assado com vinho de açaí.
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Aprende que na arte de pescar,
Só se pesca o que vai precisar,
E a calma é importante,
Para a flecha no peixe acertar.
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Aprende com os mais velhos,
Nossa memória viva,
Que com os espíritos se deve conversar,
E deles a permissão receber para na mata entrar.
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Aprende a dar valor ao que dela vem,
E a brincar nas águas do igarapé.
Aprende a curar com ervas da mata,
Como a gripe, que se cura com rapé.
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Aprende que na culinária do povo Kambeba,
O Fani não se faz de qualquer maneira,
Essa comida leva peixe e macaxeira,
E é enrolado na folha de bananeira.
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Aprende que na vida nada é fácil,
Que a luta terá que continuar,
Aprende o valor da sua identidade,
E que a educação vem do seio familiar.

Mas é preciso ir para o banco de uma escola,
E sair da aldeia é uma forma de buscar,
Conviver com outra cultura,
Sem esquecer sua Uka, o seu lugar.

A Universidade na vida do indígena,
É um direito, e já é algo bem notório,
O conhecimento do “branco” é importante,
Para que a palavra seja a arma na defesa do território.

Mas nossa luta não é só pela terra,
Lutamos pelo respeito a nossa nação,
Sem preconceito e discriminação
Viveremos, por muitas luas, entrelaçando as mãos.
Sendo sempre Kambeba, sendo parente, sendo irmão.

escola indigena

 Professora Marcia Kambeba

DE: Márcia Wayna Kambeba
Sou Mestra em Geografia, professora de Magistério Indígena, escritora, cantora, compositora e poeta, indígena da etnia Omágua/Kambeba do Estado do Amazonas, pesquisadora de povos indígenas e seus Territórios e Identidades em um processo de ressignificação da etnia. Escrevo poemas indígenas relacionados a vivência, território e identidade do povo indígena Omágua/Kambeba e dos povos indígenas em geral. Pelo fato de me afirmar indígena e viver na cidade foi que decidi escrever um livro de poemas intitulado Ay kakyri Tama – Eu moro na cidade, onde escrevo sobre assuntos voltados para nós indígenas que vivemos na cidade e lutamos por nosso respeito e afirmação junto aos que vivem nas aldeias.
Gosto de escrever assuntos voltados para a questão ambiental, envolvendo a Geografia e os povos indígenas. Também busco registrar a vivência dos povos indigenas aldeados ou na cidade através da fotografia que também é um meio de divulgação, além de ser algo que faço com carinho e prazer. Fotografo paisagens e busco apresentar uma relação com a natureza, com a Geografia.
Convido você para conhecer os povos indígenas através dos meus textos poéticos.
CONTATOS : FANPAGE https://www.facebook.com/pages/Marcia-Wayna-Kambeba/1698566047033185
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Meio Ambiente e Nutrição na Cultura Indígena

Meio Ambiente e Nutrio na Cultura Indgena
Texto da indgena We’e’ena Tikuna
Apoio: Rosi Araujo

 

WeenaAntigamente ns indgenas tnhamos uma alimentao saudvel na qual comamos somente na hora em que tnhamos vontade de se alimentar. Nossa alimentao era base de alimentos da terra, do ar, das guas dos rios, lagos e do mar, que inclua: frutas, legumes, castanhas, ervas, razes, peixes, tartarugas, caranguejos e at insetos como tanajuras, formigas e larvas de madeiras podres, ricas em vitaminas e sais minerais. Carne de animais viventes na selva e pssaros, desde que sendo fmeas no estivesse prenha (grvida), sendo tudo seu tempo de captura e colheita, tirando os frutos somente dentro do seu tempo de maturao (sazo) poca em que os pssaros e animais tambm iniciavam sua colheita para alimentao.

Atualmente com o crescimento e a aproximao das grandes cidades que cada ano invadem as nossas aldeias levando acesso a tecnologia e o programa de incluso social, as comunidades indgenas atualmente vm se alimentando com os produtos industrializados base de corantes e conservas, gerando a uma m alimentao das crianas indgenas e adultos, gerando obesidades e doenas que a cada ano levam a morte dos indgenas aldeados.

Na maioria das comunidades indgenas a alimentao algo feito em conjunto envolvendo todos da comunidade, porem com papis e atividades separadas dentre o que faz os homens e as mulheres, porque na cultura indgena todos que se alimentam devem trabalhar de forma coletiva na obteno dos alimentos, mesmo que a participao seja de forma direta ou indireta, resultando numa boaharmonia com os demais. No entanto cabe aos homens as atividades de caa, pesca, de guerra, a construo das ocas e a derrubada do mato para a criao da roa. Cabem s mulheres as tarefas relacionadas ao preparo dos alimentos, ao cuidado com as crianas e parte da atividade na roa como a colheita. Na cultura indgena as atividades feitas por cada um dos gneros (feminino ou masculino) se completam, pois juntas garantem a qualidade de vida de toda a comunidade. O paj sempre o mais velho. Ele o curandeiro, e no feiticeiro, dedicado aos conselhos e rezas, abenoando a caada e a colheita, garantindo assim a espiritualidade e irmandade fraternal dos membros da comunidade. Por tradio a comunidade sempre separa algo para levar at a maloca do paj para que ele possa se alimentar de igual para igual e isso forma um conjunto de respeito e ordem na organizao.

Na verdade os povos indgenas no possuem religio e sim espiritualidade. Na cultura indgena brasileira algumas etnias sempre antes de irem caar, pescar ou plantar, pedem autorizao para os espritos da floresta e da terra oferecendo cnticos e danas de gratido ou mesmo pedindo que liberem uma boa caa, bom plantio e uma boa produo da alimentao. Nas aldeias geralmente a alimentao sempre oferecidas primeiro para as crianas e os mais velhos; e depois divido em geral para todos. Na espiritualidade indgena o criador oferece os frutos, os peixes, e a caa no tempo certo em que o nosso organismo precisa receber aquelas vitaminas.

grande a contribuio da nossa cultura indgena no cardpio brasileiro, como: mandioca, inhame, batata doce. Nos temperos, o urucu, cheiro verde, coentro, pimenta e dezenas de frutas de nomes indgenas originrias do nosso Brasil, como: abacaxi, caj, jaca, aa, guaran, cupuau, ing, e outras. A cultura indgena no usa agrotxicos em suas plantaes, e usa apenas adubos naturais base de cinzas, folhas e esterco animal, alem dos alimentos fornecidos pela fauna e flora que so recursos de sobrevivncia que a prpria natureza nos trs. Por isso a terra muito importante para os povos indgenas que entende que a terra no dos homens, mas o homem parte da terra. A terra apenas nos empresta seus nutrientes, a gua, os minerais, o clcio, ferro, alumnio, mas ao morrermos devolveremos tudo terra. Dela nada levaremos!

de grande importncia para ns a preservao do meio ambiente porque da que tiramos o nosso sustento e a sobrevivncia do dia a dia. Na cultura indgena no geramos resduos slidos “lixo”; somente o orgnico como restos de frutas, cascas, e nossas necessidades fisiolgicas num processo de disseminao natural sem degradar o meio ambiente, mantendo os nossos rios limpos e sem poluio, sempre produzindo uma boa alimentao nutricional e saudvel.
Infelizmente a cada ano vem diminuindo a preservao do meio ambiente por causa do conforto e o chamado “progresso”, prejudicando tambm a alimentao dos povos indgenas que antes sobrevivam da flora, pesca e caa. Hoje os comrcios das cidades vendem alimentos industrializados, cheios de gorduras, artificiais e com agrotxicos, prejudicando as crianas da cidade e tambm nossas crianas indgenas.

A ndia Tikuna Weeena Miguel, que na lngua indgena Tikuna significa ona nadando para o outro lado do rio, nasceu na Aldeia Tikuna de Umariau, municpio de Tabatinga no do Amazonas, a Presidente Nacional das Mulheres Indgenas do Brasil eleita pela LIBRA-Liga das Mulheres Eleitoras do Brasil, Cantora e formada em Artes Plstica pelo IDC- Instituto Dirson Costa de Arte e Cultura do Amazonas. Hoje, 12 de suas obras compem o acervo de exposio permanente no Museu Histrico de Manaus-Amazonas.

Faz o 3 ano de Nutrio na FACULDADE UNIABC- ANHANGUERA, membro do Instituto Histrico e Geogrfico de So Paulo, da Academia Brasileira de Arte e Cultura, atualmente vem realizando shows e palestras sobre a cultura indgena em fruns, universidades, teatros e TVs uma ativista indgena.
Um grande erro no Brasil achar que uma ndia de sucesso internacional, formada e morando em um castelo no mais ndia.
https://www.facebook.com/IndiaTikunaWeeenaMigue

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